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É algo tão óbvio, tão presente que é quase invisível…

O acasomomentanismo é a arte de apreciar o momento.
Para isso, aprecia-se o “como esse momento foi formado”.

Ou ainda, que coisas ou quantas coisas se combinaram para gerar este momento???

É isso. Às vezes é difícil explicar o acasomomentanismo mesmo já o entendendo, porque justamente ao entendê-lo, torna-se tão absoluto que é impossível visualizar a vida sem ele, pois no fundo ele é vida, tornando a frase “a vida sem acasomomentanismo” tão paradoxal quanto “a vida sem a vida”.

Uma vez que se percebe a grandeza de todo e qualquer momento, já se está praticando o acasomomentanismo.

Mas a questão é: como entender isso que parece tão óbvio, mas eu nunca percebi e mesmo agora, sabendo que existe, não consigo entender? A resposta desta pergunta está em: tudo aquilo que foi responsável pela formação do momento.

O momento é formado pelo encontro/combinação de infinitos fatos. Cada fato é uma realidade que aconteceu entre mil possibilidades. Quando, dentre infinitas possibilidades, uma única torna-se realidade, forma-se um pixel que junto com mais zilhões de pixels irá formar o momento. Assim, podemos concluir que o momento é formado por infinitos pixels, sendo cada um desses pixels especialmente único, pois é a realidade que aconteceu em meio a infinitas possibilidades. Talvez seja um pouco difícil de conceber assim, tão teoricamente, mas a partir do momento em que o captar, tudo fará sentido assim: “plic! …oh!”

De dentro para fora (do micro para o macro):
Toda vez que um fato está para acontecer, existem infinitas possibilidades de desfecho, mas apenas uma será a realidade. São infinitas janelas, mas apenas uma será atravessada e todas as outras serão abandonadas. Essa janela (ou acontecimento) compõe um quadro muito maior com muitas outras janelas e esse quadro é o momento.

De fora para dentro (do macro para o micro):
O momento. Encontro ou combinação de informações. Cada informação é uma realidade, um fato. Cada fato é uma dentre infinitas possibilidades que existiram um milésimo antes daquele fato acontecer.

Por que é tão complexo? Porque são universos dentro de universos dentro de universos de possibilidades.
Por que é tão simples? Porque apesar de todos esses universos de possibilidades, o momento está simplesmente acontecendo. No final será (sempre) somente uma possibilidade que irá prevalecer e esta é a realidade, o agora. E agora. E agora. E agora. …

E como pode ser simples e complexo ao mesmo tempo? Porque na verdade, isso é a vida. É difícil explicar a vida, mas sabe-se que ela é simples, mas ao mesmo tempo uma trama extremamente complexa. A física é um bom exemplo. Você sabe na prática, pois a vive intensamente, mas teorizá-la é mais difícil, pois muitos componentes influenciam cada ação.

E retiro um trecho do manifesto: “Sendo acasomomentanismo tudo, tudo é acasomomentanismo.” Está tão intrínseco em tudo porque é tudo!

Exemplo verídico: uma amêndoa cai a um metro de mim enquanto estou andando e, enquanto caminho, sem querer a chuto, ou melhor, ela cai no bico do meu pé que estava dando um passo e é chutada antes de encostar no chão. Vê a maravilha???

Muitas coisas aconteceram em toda a vida para culminar naquele momento! Eu nasci, cresci, passei por inúmeras experiências e vivências para estar ali, naquela hora exata e sem querer chutar a amêndoa. A amendoeira foi plantada, cresceu, deu frutos, deu mais frutos, mais e mais, até nascer uma amêndoa em especial que por sua vez também cresceu, passou por intempéries, sol, chuva, vento, sabe-se lá o que mais e tudo isso para finalmente cair e ir de encontro ao bico do meu tênis ANTES DE BATER NO CHÃO!!!!  São dois universos se encontrando e tornando-se um só!!!!! E isso acontece a toda hora, no mundo inteiro!!!!

Eu poderia ter saído antes e a amêndoa ter caído na minha cabeça. Eu poderia ter saído depois e vê-la caindo no chão bem na minha frente. Mas não. Saí NA HORA EXATA PARA ESTAR ALI E ELA BATER NA PONTINHA DO MEU DEDO!

Nesse caso, foi um momento ímpar, difícil de acontecer (uma amêndoa cair da árvore e, antes de tocar o solo, ser chutada por um pé totalmente despretensioso), mas na verdade qualquer momento – qualquer mesmo – é maravilhosamente único.

Bom, por um lado consegui expressar bastante coisa, por outro, quanto mais me aprofundo, mais fico confuso, pois é assim que funciona mesmo. É um poço sem fundo e paradoxal: é impossível explicar tudo, mas ao mesmo tempo já entendo tudo perfeitamente (como um feeling). É impossível chegar ao fundo (porque não tem fundo), mas ao mesmo tempo eu já sei o que tem no fundo.

O desenho no sketch book é uma expressão artística que precedeu o acasomomentanismo, mas, assim como a história da amêndoa, é nada mais que um exemplo prático do mesmo; simples, mas complexo.

Autor: Daniel Gnattali

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“Aquele que não deixa nada ao acaso raramente fará coisas de modo errado, mas fará pouquíssimas coisas”

George Halifax

Em tempos onde planejamentos, estratégias e estudos são exigidos antes de qualquer espirro, começo a pensar no Acasomomentanismo como uma válvula de escape. Afinal, a expressão do momento em si pela arte dificilmente vai nos levar a algum lugar. Mas é de fato necessário chegar a algum lugar?

Tudo anda tão previsível. A reação do próximo, o próximo capítulo da novela, o discurso do jogador próximo ao rebaixamento. Tudo dentro do modelo, dentro do esperado. Por mais que seja difícil criar algo realmente inovador e diferente ao se cantar/escrever/desenhar a primeira coisa que vem a sua cabeça, pelo menos o fruto do Acasomomentanismo jamais será igual ao resto propositalmente.

É o acúmulo de tudo que já foi vivido, do conhecimento empírico adquirido, sendo traduzido em manifestações artísticas, ideológicas ou simplesmente cotidianas. O resultado pode ser engraçado, triste, sem sentido, profundo ou raso. Mas está ali simplesmente porque tinha que estar.

Encerro o texto avisando que, mesmo sendo redator, fiz questão de não revisá-lo. Ele somente está aí, em minha tentativa inicial de alcançar a mais pura expressão de um pensamento momentâneo.

João Resende

acaso_fundo5Acasomomentanismo está em tudo. Não só está, como é. Sendo acasomomentanismo tudo, tudo é acasomomentanismo. E faz sentido. Mas quem vai ler isto? Quem não ler, é porque não era a hora (e talvez não seja nunca). Quem ler estará lendo porque era a hora de ler e isso torna aquela hora a hora certa. Assim, tudo que acontece, acontece sempre na hora certa como se tudo (no mundo!) estivesse, de alguma forma, conspirado ou conspirando para que aquilo acontecesse da maneira que aconteceu e na hora em que aconteceu. Palavras-chave: hora e maneira.

MOMENTO – Toda arte é um retrato do momento. Ou melhor, tudo é um retrato do momento. Qualquer ação, qualquer feito, qualquer coisa, pensamento, dizer, acaba representando o momento, a hora.

ACASO – Representar o momento é, ao mesmo tempo, simples e muito complexo. Simples, pois o momento é agora, fez-se, pronto. Complexo, porque um momento não é nunca composto por um só fato ou questão. São milhões, bilhões ou zilhões de variáveis do presente e do passado que combinando-se (ou não) de um jeito ou de outro culminam na fiel, imutável e inevitável representação do momento. Essa união das infinitas variáveis e possibilidades – que aconteceu naquela hora específica, daquela maneira específica, representando aquele momento – é o acaso.

ACASOMOMENTANISMO – Como tudo acontece a todo tempo, a toda hora, e com todo mundo, podemos então definir a vida como uma contínua sucessão de acasos-momentâneos. Compreender a beleza do momento, entender a singularidade da (e na) sua formação e o quão único é cada um é o acasomomentanismo na prática. E uma vez que se entende o que é o acasomomentanismo, entende-se que ele está presente em todo milésimo de vida; incontornavelmente presente. Tomemos como exemplo o desenho ou ilustração. O acasomomentanismo está intrínseco em cada traço, curva, sombra, idéia, pois tudo isso resulta de uma grande mistura ou combinações de vivências e experiências. Na música, o acasomomentanismo é cada palavra da poesia, cada cadência de acordes, cada junção da palavra da poesia com a cadência de acordes, cada sentimento do compositor, todo e qualquer fator que o possa ter influenciado – mesmo sem nenhuma ciência; nem do influenciador, nem do influenciado. Aqui, sem pretensão alguma, através da música, expomos o acasomomentanismo em sua forma mais crua, como um espontâneo esboço a lápis feito descompromissadamente. Talvez a beleza estética (qualidade musical) não seja aquela padrão, mas não por isso, pois o que vale é sua natureza selvagem, intacta que a torna o retrato perfeito do momento.

Autor: Daniel Gnattali

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